segunda-feira, 27 de agosto de 2012

4º Capítulo




Era a sua primeira noite no cruzeiro e Harry ouvira dizer que havia um bar/discoteca com DJ e tudo, algo que não podia desperdiçar. Isso para não falar das fãs com corpos quentes a dançar, ele não podia tocar demasiado, mas nada o impedia de ver.
- Louis, alinhas numa ida ao bar?
- Prefiro ir para a piscina. – Louis afirmou.
- À noite?
- Sim, à noite é que é bom, não há ninguém, posso nadar nu e tudo!
- Hum…essa ideia agrada-me amorzinho! – Harry brincou com ele.
Isso era uma das coisas mais engraçada entre a amizade daqueles dois. Aliás, todos eles na banda tinham enormes amizades, eram como irmãos. Mas tal como tudo, haviam sempre dois mais cúmplices. Nos One Direction, era o Harry e o Louis, que por acaso até estavam a dividir o mesmo quarto. Assim, como Liam, Zayn e Niall dividiam um pelos três.
Ao ver que Louis não queria ir com ele ao bar, Harry foi bater à porta do quarto dos outro três.
- Hey malta! Bar? – perguntou entrando de rompante no quarto.
- Hum…não me apetece muito ver coisas que depois me dão vontade de fazer algo que não posso fazer. – Zayn afirmou os quatro riram.
- Acho que vou até à sala de jogos. – Liam disse.
- Eu vou contigo! – Niall afirmou.
- Vocês detestam-me mesmo! – Harry fingiu uma cara triste e Zayn atirou-lhe uma almofada à cara – Mas tudo bem, quem perde são vocês. Boas noites! – anunciou e saiu em direcção ao bar!
Abigail, encontrava-se agora sem mais trabalho por aquele dia. Estava uma maravilhosa noite, e a vista do cruzeiro era linda, apesar de só se ver mar e céu, a vista era magnífica aos olhos dela. Decidiu que talvez fosse bom passear pela parte exterior do navio para desanuviar.
Dar aquele passeio pelo navio estava de facto a fazer-lhe bem, estava a fazer-lhe refrescar as ideias, a faze-la esquecer os problemas lá fora, os problemas que toda a sua vida tivera. Ela era um poço de mistério. Ela sabia muita coisa que as freiras do convento não sabiam. Ela havia feito pesquisas por ela própria, ela havia descoberto coisas, muitas coisas que preferia não se relembrar.
Por vezes, dava por si a pensar em como seria bom ter uma amiga, uma grande amiga do seu lado que lhe dissesse que tudo ia ficar bem, que ela iria ser feliz, mas como é que alguém consegue ser feliz, sem ter uma verdadeira família, sem nunca ter tido uma verdadeira família do seu lado. Tudo bem, ela tinha as freiras e as suas meninas do convento, mas não era a mesma coisa, não para ela.
Abigail estava tão concentrada nos seus pensamentos, que deu um pulo quando ouviu uma voz desconhecida atrás de si.
-  A pensar na vida? – o rapaz mais engraçado dos One Direction perguntou – Desculpa, não queria assustar-te.
- Não…não faz mal, eu estava só distraída. – Abigail respondeu tentando ser simpática.
- Olha, queria pedir-te desculpa por o Harry, à bocado no jantar, ele…
- Não tem mal, aliás, não tens nada que te desculpar pelos erros dos outros.
- Sim, mas ainda assim…Ele é o meu melhor, senti-me no dever de me desculpar por ele. Ele falou-me que tu…não gostas muito de…pessoas como nós.
 - Queres dizer, famosos?
- Isso…
- É verdade.
- É, eu de facto percebo-te, mas nem todos são iguais. Eu pessoalmente, não me considero má pessoa.
- Nunca disse que todos são iguais, mas todos me irritam, eu…eu não sei explicar.
- Inclusive eu?
- Não é que eu queira…
- Ouve, se todos os famosos te irritassem realmente, tu nunca te darias ao trabalho de estares aqui a falar comigo e…
- Eu trabalho aqui, não posso tratar mal os clientes.
- Neste momento estás na tua hora de folga, então.
-E por isso mesmo, já estava de saída, se me dás licença…- Abigail pediu fazendo cara de quem perguntava pelo nome dele.
- Louis.
- Isso. Se me dás licença Louis.
- Dou, com toda a certeza. Só espero que saibas que em relação ao Harry, estás errada, ele não é má pessoa, de todo. Um bocadinho convencido, mas é boa pessoa.
- Passa bem Louis. – Abigail anunciou e saiu.
Louis ficara confuso com a atitude de Abigail, mas no fundo, achara que ela não era má rapariga, muito pelo contrário. Por aquilo que ele havia visto nos seus olhos, ela era apenas uma jovem frágil, perdida no mundo, com a cabeça cheia de ideias, ideias perdidas e divididas. Um dia, ela iria mudar de opinião, ele tinha a certeza.
No bar, encontrava-se um Harry já bastante alterado. Havia perdido a conta de quantos copos de vodka pedira.
Estava sozinho, ali, apenas com algumas fãs mais velhas e com bonitos corpos. Sentia-se quente, sentia-se nas nuvens, sentia-se capaz de quebrar algumas regras. Aliás, ele queria, apetecia-lhe quebrar regras. Afinal de contas, regras foram feitas para serem quebradas.
Sentiu os seus ombros ficarem mais quentes de repente e logo em seguida sentiu um beijo longo do seu pescoço.
- Ora viva! – disse animado, virando-se para a pessoa que o havia beijado – Uau…queres brincar? – perguntou divertido para a fã que se encontrava à sua frente. A rapariga com um corpo bonito, abanou simplesmente a cabeça. Harry pegou de imediato da sua mão e arrastou-a dali para fora.
Harry abriu a porta do quarto que dividia com o Louis, espreitou e quando viu que não havia ninguém, puxou a fã com brutidão para dentro, trancou a porta e empurrou a fã contra esta beijando-a violentamente de seguida.
Para Harry e aquela fã que se podia considerar uma sortuda naquele momento, a noite ainda era uma criança.

domingo, 26 de agosto de 2012

3º Capítulo




Logo após sair da recepção, Harry dirigiu-se ao bar para ir buscar a garrafa de agua que a sua garganta tanto desejava.
Ele não conhecia a rapariga de lado algum, sabia que ela era uma mera empregada, talvez uma pobretanas qualquer, mas havia ficado tão magoado com aquilo que ouvira, que apenas o seu coração o sabia explicar. Tudo bem, alguns famosos poderiam com toda a certeza ser assim, mas apenas alguns, não todos, não eles, não ele!
De repente, lembrou-se de que havia uma multidão de fãs há espera dele na sala de espectáculos e correu.
- Então Hazza? Perdeste-te pelo caminho ou…? – Zayn, o rapaz mais moreno do grupo, perguntou.
- Antes fosse…- suspirou.
- E que tal falares sem ser em código…
- Esquece, temos fãs para satisfazer! – afirmou e começou a meter-se com a imensidão de raparigas que se encontravam à sua frente.
Ainda na recepção, encontrava-se uma Abigail confusa, confusa com o que quereria da vida na realidade, com o que realmente achava da vida. Será que apesar de pensar que sabia tanto, ela na verdade sabia tão pouco? Será que estaria errada em tudo o que pensava sobre pessoas ricas? Não, claro que não estava, ela tinha provas em como não estava.
As horas foram passando e trabalhos iam surgindo. Fosse no bar, fosse na piscina, fosse na sala de jogos, fosse nos quartos, fosse onde quer que fosse, Abigail já não podia com os gritos histéricos das fãs, cada vez que viam um dos rapazes. Bem, aquele era só o primeiro dia, talvez no último dia eles já tivessem tido relações sexuais com todas e elas.
- Woow, oh meu deus Abigail, que coisas estás tu a pensar! – gritou consigo própria.
- Bem, parece que a menina espertinha fala sozinha! – o rapaz que possuía o caracóis mais perfeitos, capaz de deixar qualquer rapariga a sofrer por dentro, pronunciou atrás de Abigail.
- Tu outra vez?
- Que eu saiba, tenho o direito de andar por onde quero…
- Ninguém disse o contrário, mas quanto mais longe de mim andares, melhor!
- Não é assim que se deve tratar um Famoso!- Harry provocou-a dando enfase à ultima palavra. Abigail não respondeu, não tinha resposta para tamanha estupidez. Só desejava nunca mais o ver à sua frente.
- Hazza deixa de chatear a rapariga! – aquele que aos olhos de Abigail parecia o mais normal e simpático dos cinco, pronunciou -  o Paul quer-nos aos cinco no quarto dele, para uma reunião.
- És um chato Liam! – Harry gritou, piscou o olho a Abigail para a provocar e saiu.
Era apenas o primeiro dia naquele cruzeiro, e já estava a ser um inferno.
Por vezes, ela gostava de tornar as coisas mais simples, gostava de puder controlar toda aquela raiva que tinha pelos famosos, toda aquela raiva que tinha por pessoas de uma classe social altíssima, mas ela não podia, não conseguia, não depois de ter descoberto tudo, não depois de ter sofrido o que sofreu na sua vida.
No quarto de Paul, dava-se uma reunião que a seu ver era importantíssima.
- Sim Paul…já sabemos que não devemos de ter relações sexuais com as nossas fãs. – Louis, o mais velho e divertido da banda disse.
- E nem…- Paul ia a falar quando foi interrompido pelos cinco.
- Beijá-las!
- Nós já sabemos tudo isto Paul, para quê esta conversa de novo? – Perguntou Zayn.
- Porque eu vi o menino Styles a lançar demasiados olhares a uma rapariga e inclusive já o vi a falar com ela. O que vale, é que me pareceu que ela não estavam nem aí.
- Ui, não é uma fã Paul, é uma empregada do cruzeiro. – Liam emendou-o.
- Oh, essa pobrezita sem escrúpulos! – Harry afirmou fazendo cara de descaso.
- Pois, é pobrezita sem escrúpulos  e passas a vida a olhar para ela.
- Porque…
- Porque nada! Seja com fãs, seja com quem for, neste navio não há sexo entre vocês! Salvo seja. – Paul afirmou e os cinco riram.
Já estavam mais do que habituados à aquela conversa do costume. O Paul era como um pai para eles, não era como os outros seguranças aborrecidos e sem coração que não os deixavam chegar perto das fãs. Paul era divertido e tinha sentido de humor. Claro que era obrigado a cumprir as regras, tais como dizer-lhes o que devem e não devem de fazer e encarregar-se de que eles as cumpram. Mas, tirando isso, era ele que quando uma fã estava mal ou algo parecido, a ajudava, era ele que quando era preciso um fotógrafo se voluntariava, e essas eram apenas umas das muitas razões pelas quais as fãs tanto o adoravam.
Logo após aquela tão urgente reuniam, os rapazes foram dispensados para se divertirem e cada um decidiu seguir para seu lado.
Quando Abigail deu por si, já eram horas de jantar e ela era uma das pessoas que teria que servir aquela imensidão de gente. Odiava aquela farda ridícula que a obrigaram a vestir só para servir pessoas. Se aquilo era apenas o primeiro dia, ela não queria nem imaginar os outros, provavelmente a meio da semana cansava-se e jogava-se ao mar.
O restaurante do cruzeiro começou a encher e os pedidos vinham a valer. Ás tantas, Abigail já não sabia para que lado se virar.
- Abigail, faz-me o favor de atender os rapazes por favor. – o chefe de cozinha pediu.
Oh não, só lhe faltava essa. O mais irónico, era que as coisas apareciam sempre em alturas que ela não podia recusar. Era obvio que ela nunca poderia recusar aquele pedido, ou nesse caso seria despedida.
- Com certeza. – afirmou e descontente seguiu para a mesa dos rapazes – Ora, muito boa noite. O que vão desejar.
- Ora vejam só quem é ela. – Harry disse irónico.
Abigail ignorou a afirmação de Harry e esperou pelos pedidos.
- Então, já não se responde aos famosos senhora…Abigail Baron.- Harry provocou mais uma vez, olhando para o nome dela que se encontrava exposto num crachá.
- Harry! – os outros quatro repreenderam-no.
- Que foi? Já não posso falar? – perguntou-lhes num tom engraçado – Ora, para mim pode ser uma cerveja, ou melhor…duas!
- Não querias mais nada…- Abigail deixou escapar sem querer.
- Desculpa?
- Lamento informar, mas cerveja, só no bar. – Abigail sorriu falsamente. Harry bufou e pediu outra coisa. Assim que os cinco fizeram os seus pedidos, Abigail voltou para a cozinha.
Aquele rapaz tirava-a do sério.

2º Capítulo


Oito da manhã, era a hora que o relógio da carrinha preta estacionada junto ao navio marcava.
Dentro dessa carrinha preta e com os vidros fumados, encontravam-se cinco rapazes, quatro incríveis fenómenos britânicos e um incrível fenómeno Irlandês. Juntamente com os rapazes, encontravam-se os seus guarda-costas.
- Bem rapazes, estão prontos? – Paul, o guarda-costas que já todas as fãs conheciam e idolatravam, pronunciou-se.
- Mais do que prontos! – Niall, o lindíssimo irlandês, manifestou-se.
- Da informação que me foi dada, já todas as Directioners se encontram lá dentro, sentadas na sala de espectáculos. Tudo o que têm que começar por fazer, é entrar naquele navio, ser simpático para toda a gente, mas, não demasiado simpático senhor Styles e seguirem para onde vos indicarem. Os cinco rapazes apenas assentiram, abriram a porta da carrinha e saíram.
Estariam eles prontos na realidade? Estariam eles prontos para passarem três semanas com cem fãs que os desejavam? Que gritavam os seus nomes a cada fracção de segundo, que desmaiavam a cada toque deles? Bem, estivessem ou não, isso não interessava, eles já estavam rumo à aventura.
Correram até ao grande lance de escadas e subiram para o navio.  
Logo à entrada daquele luxuoso barco, encontrava-se Abigail para os receber. Quando lhe impuseram aquele trabalho, ela só pensou que podiam estar a gozar com a sua cara.
- Bom dia! – ela cumprimentou os cinco forçando um sorriso e dando um aperto de mão a cada um.
- Bom dia! – os cinco disseram em uníssono e simpaticamente.
- Ora bem, peço-vos que me acompanhem até à sala de espectáculos. – Abigail disse fazendo apenas aquilo que lhe cumpria – Por aqui, por favor.
Os cinco rapazes mais desejados do momento seguiram a jovem até à sala de espectáculos.
Assim que a porta foi aberta, por Abigail, uma multidão de gritos pôde ser ouvida.
- Bem, deixo-vos com as vossas queridas fãs – Abigail fez questão de dar enfase à penúltima palavra – Têm seguranças dentro da sala.
- Muito obrigada. – os rapazes agradeceram e entraram.
Abigail fechou a porta atrás de si e seguiu caminho para a recepção.
Ainda não podia acredita que a haviam metido a fazer aquele trabalho, mas para sua surpresa, eles até foram verdadeiramente simpáticos.
Assim que chegou à recepção, Abigail fora avisada de que o navio já se encontrava em andamento. Era incrível como ela não tinha dado por nado.
- Não achas estranho? – a rapariga que aparentava ter a mesma idade que ela, que se encontrava atrás do balcão da recepção perguntou.
- Desculpa? – Abigail interrogou-a confusa.
- Se não achas estranho, estarmos aqui, digo, no mesmo sitio que eles… irmos passar três semanas com eles e…- provavelmente a rapariga continuar-se-ia a babar pela banda se Abigail não a interrompe-se.
- Mas será que sou a única pessoa normal neste mundo? 
- Como assim? – a rapariga olhou para ela ofendida.
- Digo, serei a única que detesta famosos?
- Isso não faz sentido.
- Como não?
- Não faz sentido detestares alguém que nem sequer conheces.
- Nem faço intenções de conhecer. Mas, infelizmente já tive que os levar para a sala de espectáculos.
- Isso é rude. Não devemos nunca, julgar um livro pela capa…tu não podes simplesmente detestar um famoso, só porque ele é…famoso.
- Não é só por serem famosos. É porque os famosos, são pessoas sem vida própria, que vivem num mundo só deles…no mundo dos famosos não existe pobreza, só existe perfeição e luxuria e…
- E nós também temos coração e também ficamos magoados ao ouvir certas coisas. – o dono dos mais belos caracóis pronunciou-se triste atrás de Abigail.
 Naquele momento, Abigail nem teve coragem de se virar para trás com tamanha vergonha que estava a sentir. Ela não queria ser má e muito menos fazia intenções de que algum deles ouvisse oque ela disse, mas era a verdade, era a opinião dela.
- E és tão inútil que és incapaz de te virares para mim…- o rapaz voltou a falar, mas desta vez num tom provocativo.
Não, ela podia suportar tudo, tudo mas menos que a provocassem.
- Desculpa? – ela perguntou virando-se para ele de rompante – Estás a falar para mim?
- Contigo mesmo.
- Só dei a minha opinião, peço desculpa se não a sabes aceitar!
- Tu por acaso sabes ao menos, de alguma coisa daquilo que disseste? Percebes de alguma coisa? Já que estavas para ai a falar muito dos famosos e em como nosso mundo é Perfeito!
- Sei…
- Ai sabes? Não me digas que também és famosa e que te odeias a ti própria!
-Não, mas…
- Mas nada miúda! Não fales daquilo que não sabes! – o rapaz, que dava pelo nome de Harry, gritou cheio de raiva e saiu dali.
Abigail permaneceu com o olhar colado nele, chocada, surpreendida com o que acabara de se passar. Teria ela exagerado? Claro que não, afinal de contas ele havia sido rude com ela.
- Concentra-te no trabalho Abby, concentra-te! – pensava para si própria – Ainda agora começas-te e já estás a arranjar problemas.
A sua sorte, fora que apenas a outra empregada que estava do lado de dentro do balcão, assistira aquele momento.

sábado, 25 de agosto de 2012

1º Capítulo


O relógio marcava as seis e meia da manhã em Londres, quando Abigail Baron, uma jovem órfã de dezoito anos, já se encontrava no porto marítimo, prestes a entrar no enorme navio Cruzeiro que tinha à sua frente.
Mal podia acreditar que fora obrigada a ir para ali.
Abigail morava num lar, um lar para crianças órfãs que era dirigido por freiras. Ela fora colocada à porta do lar ainda recém nascida. Desde então que lá morava.
Sempre fora educada de uma excelente forma e era uma pessoa super simples, pobre em material, mas rica em carinho, carinho daquelas que a rodeavam no lar.
Mas, agora que atingira a maioridade, Abigail era obrigada por lei a abandonar o lar. Então, ela teria que arranjar um emprego para poder alugar um quarto, ou uma casa e para poder também pagar os seus futuros estudos na faculdade. Por isso ela procurou por um emprego razoável. Nada lhe parecia suficientemente bom ou confiável, isso até encontrar o artigo Top. Andavam à procura de jovens para trabalharem como empregados de um cruzeiro que se realizaria durante três semanas por vários sítios. Ao achar uma excelente oportunidade e ao ver que pagavam bem, Abigail não hesitou em ligar a dizer que estava interessada.
Mas logo após aquele telefonema, todo seu desejo por ir trabalhar no cruzeiro desapareceu num ápice. Acontece que aquele era um cruzeiro pura e simplesmente para fãs dos One Direction, uma banda fenómeno. Tratava-se de um cruzeiro especial. Era um concurso e as 100 vencedoras ganhavam a oportunidade de passar três semanas num cruzeiro com os seus cinco ídolos e com tudo pago. Tudo um luxo, tudo perfeito, tudo à volta da fama, tudo à volta de histerismos e egocentrismo, tudo o que não tinha nada a ver com ela. Tudo aquilo que ela odiava.
Na cabeça de Abigail, os famosos eram pessoas sem vida própria e que vivam à volta de um mundo perfeito onde a pobreza não existia e ela repelia esse mundo, ela odiava todo o tipo de famoso.
No entanto, sentira-se obrigada aceitar aquele emprego. Primeiro porque não havia melhor e pagavam bem e segundo porque tinha vergonha de recusar depois de ter telefonado.
Então, ali naquele dia, cedíssimo, Abigail já se encontrava com uma pequena mochila às costas pronta para embarcar naquela aventura à qual ela intitulava de pesadelo.
Sem pensar duas vezes, subiu as enormes escadas do cais que davam entrada no gigantesco navio.
Assim que entrou dentro do navio, a sua boca abriu-se num perfeito “O” com tamanha surpresa do que via à sua frente. Ela odiava de facto a luxuria e aquilo era sem dúvida alguma demasiado, ainda para mais para um bando de fãs com umas estúpidas celebridades.
Decidiu não pensar por momentos no tipo de pessoas que iria servir e encaminhou-se para alguém que se encontra-se perto.
- Bom dia. –  Abigail cumprimentou simpaticamente um homem com fato – Sou uma...digamos que, nova empregada daqui.
- Ah, muito bom dia menina! – o senhor cumprimentou estendendo a mão para que ela a apertasse – sou o comandante deste navio. – Abigail quase se encolheu ao ouvir aquilo. O nome “comandante” metia-lhe medo de alguma forma.
- Ahm…peço desculpa então, devo de me ter…- Abigail falou super depressa atropelando as palavras.
- Tem calma jovem, não é que eu te vá fazer mal ou algo. – o senhor simpático riu-se – Bem, para saberes como funciona tudo basta dirigires-te aquele balcão – apontou para aquilo que parecia ser a recepção.
- Ok, muito obrigada senhor.- Abigail agradeceu e fez continência. Logo em seguida dirigiu-se para a recepção e perguntou sobre tudo e mais alguma coisa. Após tiradas todas as dúvidas, ela foi encaminhada para o quarto que iria partilhar com mais duas empregadas.
Era incrível, que quando ela pensava que não podia ficar mais surpreendida, eis que aparecia uma nova surpresa. Até o quarto para os empregados era um verdadeiro luxo, luxo que ela detestava.
Atirou a sua mochila para cima de uma das três camas e atirou-se de costas, ficando deitada de barriga para cima.
- Bem Abby, parece que este vais ser um longo desafio. – falou para si própria e encarou o tecto.
Ela já tinha imensas experiências com apenas dezoito anos, ela já tinha imensos conhecimentos, ela sabia o que devia e não devia de fazer, e meter-se no mesmo barco que famosos não estava com toda a certeza na lista daquilo que deveria de fazer.
 Ao ver que o seu relógio de pulso já marcavam as sete da manhã, Abigail levantou-se da cama, pôs a mochila debaixo desta, saiu do quarto e foi ao encontro do trabalho.

Prólogo



Existe apenas uma pequena linha que separa o amor do ódio, e quando essa linha é cortada, ambos se unem em apenas um só sentimento.
O oceano era o destino perfeito para duas almas completamente diferentes perdidas no meio de nenhures, perceberem que no fundo eram semelhantes.
Nunca devemos julgar um livro pela capa, assim como não devemos de julgar as pessoas pela aparência ou por aquilo que possam possuir exteriormente.
O amor pode ser o sentimento mais arrebatador de todo o sempre, mas querendo ou não, por vezes é a melhor emoção.